Ele queria conhecer a verdade. Arrumou suas coisas, aprontou as malas, só pôs o necessário, vestiu-se com o que achava mais confortável para uma longa viagem, despediu-se dos mais queridos e saiu em busca da dita.
Tempo ele tinha de sobra, por isso foi andando, ia com calma e aproveitando a viagem. Passou por diversos lugares, foi além do horizonte muitas vezes, encontrou aquelas botas perdidas, viu o vento fazer a curva. A todos que encontrava pelo caminho, perguntava:
- Conheces a verdade?
Sempre tinha um não como resposta.
Um dia, chegou ao alto de uma montanha - é sempre no alto da montanha, deveria ser o primeiro lugar a se procurar... -, encontrou uma velha senhora. Ela estava sentada sobre uma grande pedra, sozinha, as mãos descansavam apoiadas sobre as pernas, olhava para chão quando ele chegou, vestia-se maltrapilhamente, tinha o rosto enrugado, uma aparência maltratada, parecia cansada. Ele cumprimentou-a, como de costume, e perguntou:
- Conheces a verdade?
A velha levantou a vista, olhou em seus olhos e suspirou.
- Sim, sou eu.
Ela esboçou algo que ele pensou em interpretar como um sorriso. Não haviam mais muitos dentes na boca da velhinha. Ele sorriu em resposta, tinha enfim, depois de tanto procurar, atingido seu objetivo. Apresentou-se e explicou-se. Resolveu ficar e saber o máximo que pudesse sobre aquela anciã. Ela não se opôs.
Muito tempo passou até que ele decidiu que era hora de voltar para casa. Antes de partir, falou à Verdade:
- Verdade, o que poderia eu fazer por ti como agradecimento por tudo que me fizeste?
A velha riu baixinho, levantou o nodoso dedo e disse:
- Quando perguntarem por mim, filho, digas que sou jovem e bonita!
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O conto não é novo, nem é meu. Achava interessante e resolvi escrever do meu jeito!
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Para ouvir:
Blind Guardian - The Bard's Song, In The Forest